25 de abr. de 2006

Mulher ao Espelho
publicado em MAR ABSOLUTO - 1945.
Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
Já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.S
ó não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingidado
meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira
,a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveiraao nada,
não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,olhos,
braços e sonhos seus,e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
(Cecília Meireles)


Sem muito o que dizer sobre esse Poema .....

Nenhum comentário: