6 de mai. de 2002

LUA ADVERSA


Tenho fases, como a Lua.

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...


Perdição da minha vida !


Perdição da vida minha !


Tenho fases de ser tua,


tenho outras de ser sozinha.


Fases que vão e que vêm,


no secreto calendário


que um astrólogo arbitrário


inventou para meu uso.

E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Nao me encontro com ninguém
(tenho fases como a Lua...)

No dia de alguém ser meu
nao é dia de eu ser sua...
E quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles




( realmente este poema diz muito sobre mim )
Hei, mãe, eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo, isso foi tudo o que eu queria ter
Mas, hei, mãe, alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer
Hei, mãe, tenho uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais não querem nem saber
Mas, agora, lá fora, todo mundo é uma ilha
Há milhas e milhas e milhas de qualquer lugar
Nessa terra de gigantes
Eu sei, já ouvimos tudo isso antes
juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

As revistas, as revoltas, as conquistas da juventude
São heranças, são motivos pras mudanças de atitude
Os discos, as danças, os riscos da juventude cara limpa, a roupa suja esperando que o tempo mude
Nessa terra de gigantes
Tudo isso já foi dito antes
juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes

Hei, mãe, já não esquento a cabeça
Durante muito tempo isso foi só o que eu podia fazer
Mas hei, hei, mãe por mais que a gente cresça
Há sempre coisas que a gente não pode entender
Por isso, mãe, só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto antes de anoitecer
Pois agora, lá fora, o mundo todo é uma ilha
Há milhas e milhas e milhas...
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante
A PORTA DO MEDO
Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto.
Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, a qual haviam gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue.
Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:
"Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros, ou passarem por aquela porta e por mim lá serem trancados".
Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos pelos arqueiros.
Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, disse-lhe:
* Senhor, posso lhe fazer uma pergunta? * Diga, soldado.
* O que havia por de trás de assustadora porta? * Vá e veja.
O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que a medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, até que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo a liberdade.
O soldado admirado apenas olha seu rei, que diz:
* Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar abrir esta porta.
Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar?
Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?
Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguem pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Pôr um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento