É irônico o que se pode fazer por muitas pessoas, e não conseguimos fazer absolutamente nada por uma só..
17 de mai. de 2002
15 de mai. de 2002
Alguém
Haverá um dia alguém
Com uma ternura inesgotável pela vida
Que divida comigo o tear da felicidade
Haverá um dia alguém
Que me conduza pela mãos
Ainda que por uma única vez
Em caminhos de uma só direção
Alguém que seja suave para silenciar
Quando a música da alma invadir a solidão de dois
E os olhos cantarem, brilhando em tons de arco-íris
Alguém que fale em linguagens sensitivas
Quando a boca emudecer, calada pelo coração
Alguém que seja tão forte
Para render-se ao som de uma lágrima
Alguém que ao olhar o universo
Misture-se ao luar, cantando para as estrelas
Alguém cujo amor se renove
Como o fluxo e refluxo das marés
Alguém que seja pródigo em sonhar
E ousado para realizar com a mesma imensidão do mar...
Haverá um dia alguém...
Haverá um dia alguém
Com uma ternura inesgotável pela vida
Que divida comigo o tear da felicidade
Haverá um dia alguém
Que me conduza pela mãos
Ainda que por uma única vez
Em caminhos de uma só direção
Alguém que seja suave para silenciar
Quando a música da alma invadir a solidão de dois
E os olhos cantarem, brilhando em tons de arco-íris
Alguém que fale em linguagens sensitivas
Quando a boca emudecer, calada pelo coração
Alguém que seja tão forte
Para render-se ao som de uma lágrima
Alguém que ao olhar o universo
Misture-se ao luar, cantando para as estrelas
Alguém cujo amor se renove
Como o fluxo e refluxo das marés
Alguém que seja pródigo em sonhar
E ousado para realizar com a mesma imensidão do mar...
Haverá um dia alguém...
12 de mai. de 2002
É HORA DE AMAR...
Segui pela vida,
Tentando ganhar tempo do tempo,
Numa corrida alucinada
Em direção ao nada.
E por seguir assim, tentando encontrar atalhos,
Tentando saltar etapas,
Esqueci que são os momentos que contam.
O agora é o tijolo com o qual
construímos o depois,
E os dois serão para sempre lembrados,
Porque um dia farão parte do passado.
Ao tentar ser em tudo o primeiro,
Passei sem ver, em alta velocidade,
Pelos pequenos detalhes
que enfeitavam minha vida,
Sem que eu sequer os percebesse.
Assim, não vi as pequeninas flores
que adornavam meus caminhos,
Nem os sorrisos que me convidavam ao amor...
Nessa jornada, por mim tornada árdua,
Brinquei com sentimentos,
E dei demasiada atenção aos aplausos,
ás metas e aos sonhos
Que, pensava eu, só a mim pertenciam.
Não dividi, não concedi.
Me escondi dentro de mim mesmo.
Troquei poucas idéias, pedi poucas opiniões,
Certo de que eram as minhas que contavam...
E fui sonhando
com a objetividade de um D.Quixote,
Cantando ao vento minhas canções,
Até não mais ter certeza do que queria ou sentia.
Assim, me esqueci de viver
Versos cantei a amores que não amei.
Não aprendi a dizer 'não sei',
E me encontrei um dia,
sem o amor tanto buscado.
Aos que me queriam, dediquei pouco tempo,
Por não o ter de sobra nem para mim,
E assim, lentamente,
Fui perdendo o melhor que eu tinha,
Como perdi, nessa viagem alucinada
pela vida, as belas paisagens
Que passaram pela janela
do bólido de minha existência..
Com mentiras alvissareiras,
Ocultei minhas verdades desinteressantes,
E, a cada instante,
Mais eu me perdia nas trilhas
dessa corrida sem sentido,
Cujo ponto de chegada nunca me foi dado ver.
Desejei muito sem nada oferecer,
Porque nunca pensei em trocar,
apenas em obter...
E quanto mais o tempo passava,
Mais eu me apegava a coisas sem importância,
Aos risos soltos.
Em noites mal dormidas
tentei roubar tempo ao próprio tempo,
Sem saber, que ao final, era eu quem perdia...
Muito tentei sem persistir,
Muitas boas intenções tive,
E muito fracassei nessas vontades sem vigor.
O amor, pensava eu,
estava no fim da corrida,
Onde deveria haver uma vida
para seguir paralela à minha...
Mas, para descobrir cada dia algo novo,
Eu já não via os estragos da viagem.
E foi somente quando,
um dia, num lugar qualquer,
A realidade veio me visitar,
É que resolvi abrandar o ritmo de minha viagem.
Então, vi que ainda há quem procure por mim
Na imensidão do deserto escaldante
Onde desembarquei de minhas aventuras.
Ainda há quem me espere.
É ao encontro deles que eu vou,
Lá, onde existe outro tipo de calor.
É hora de aprender a dar amor...
Segui pela vida,
Tentando ganhar tempo do tempo,
Numa corrida alucinada
Em direção ao nada.
E por seguir assim, tentando encontrar atalhos,
Tentando saltar etapas,
Esqueci que são os momentos que contam.
O agora é o tijolo com o qual
construímos o depois,
E os dois serão para sempre lembrados,
Porque um dia farão parte do passado.
Ao tentar ser em tudo o primeiro,
Passei sem ver, em alta velocidade,
Pelos pequenos detalhes
que enfeitavam minha vida,
Sem que eu sequer os percebesse.
Assim, não vi as pequeninas flores
que adornavam meus caminhos,
Nem os sorrisos que me convidavam ao amor...
Nessa jornada, por mim tornada árdua,
Brinquei com sentimentos,
E dei demasiada atenção aos aplausos,
ás metas e aos sonhos
Que, pensava eu, só a mim pertenciam.
Não dividi, não concedi.
Me escondi dentro de mim mesmo.
Troquei poucas idéias, pedi poucas opiniões,
Certo de que eram as minhas que contavam...
E fui sonhando
com a objetividade de um D.Quixote,
Cantando ao vento minhas canções,
Até não mais ter certeza do que queria ou sentia.
Assim, me esqueci de viver
Versos cantei a amores que não amei.
Não aprendi a dizer 'não sei',
E me encontrei um dia,
sem o amor tanto buscado.
Aos que me queriam, dediquei pouco tempo,
Por não o ter de sobra nem para mim,
E assim, lentamente,
Fui perdendo o melhor que eu tinha,
Como perdi, nessa viagem alucinada
pela vida, as belas paisagens
Que passaram pela janela
do bólido de minha existência..
Com mentiras alvissareiras,
Ocultei minhas verdades desinteressantes,
E, a cada instante,
Mais eu me perdia nas trilhas
dessa corrida sem sentido,
Cujo ponto de chegada nunca me foi dado ver.
Desejei muito sem nada oferecer,
Porque nunca pensei em trocar,
apenas em obter...
E quanto mais o tempo passava,
Mais eu me apegava a coisas sem importância,
Aos risos soltos.
Em noites mal dormidas
tentei roubar tempo ao próprio tempo,
Sem saber, que ao final, era eu quem perdia...
Muito tentei sem persistir,
Muitas boas intenções tive,
E muito fracassei nessas vontades sem vigor.
O amor, pensava eu,
estava no fim da corrida,
Onde deveria haver uma vida
para seguir paralela à minha...
Mas, para descobrir cada dia algo novo,
Eu já não via os estragos da viagem.
E foi somente quando,
um dia, num lugar qualquer,
A realidade veio me visitar,
É que resolvi abrandar o ritmo de minha viagem.
Então, vi que ainda há quem procure por mim
Na imensidão do deserto escaldante
Onde desembarquei de minhas aventuras.
Ainda há quem me espere.
É ao encontro deles que eu vou,
Lá, onde existe outro tipo de calor.
É hora de aprender a dar amor...
7 de mai. de 2002
AMAR
Carlos Drumond de Andrade
Que pode uma criatura senão
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de
[rapina]
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuição pelas coiass pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drumond de Andrade
Que pode uma criatura senão
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de
[rapina]
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuição pelas coiass pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Quem é você ?
Quem silencia minha noite ?
Faz madrugada meus
pensamentos ?
Quem amanhece meu dia ?
E torna-me escuridão ?
Quem sinto desconhecer meus
sonhos ?
Que neles imagino quem é...
Neles vagam meus pensamentos
Onde, novamente, volto a te
imaginar...
Quem é você que fere, e em
presença, traz a paz ?
Quem é você que cala, e em
silêncio, é amor ?
Quem é você que entra, e de mim, pleno me faz ?
Ainda que não o vejo, sinto !
Ainda que não o conheço, amo !
Ainda que não me fale, pergunto :
Quem é você ?
Quem silencia minha noite ?
Faz madrugada meus
pensamentos ?
Quem amanhece meu dia ?
E torna-me escuridão ?
Quem sinto desconhecer meus
sonhos ?
Que neles imagino quem é...
Neles vagam meus pensamentos
Onde, novamente, volto a te
imaginar...
Quem é você que fere, e em
presença, traz a paz ?
Quem é você que cala, e em
silêncio, é amor ?
Quem é você que entra, e de mim, pleno me faz ?
Ainda que não o vejo, sinto !
Ainda que não o conheço, amo !
Ainda que não me fale, pergunto :
Quem é você ?
6 de mai. de 2002
LUA ADVERSA
Tenho fases, como a Lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida !
Perdição da vida minha !
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Nao me encontro com ninguém
(tenho fases como a Lua...)
No dia de alguém ser meu
nao é dia de eu ser sua...
E quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles
( realmente este poema diz muito sobre mim )
Tenho fases, como a Lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida !
Perdição da vida minha !
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Nao me encontro com ninguém
(tenho fases como a Lua...)
No dia de alguém ser meu
nao é dia de eu ser sua...
E quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Cecília Meireles
( realmente este poema diz muito sobre mim )
Hei, mãe, eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo, isso foi tudo o que eu queria ter
Mas, hei, mãe, alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer
Hei, mãe, tenho uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais não querem nem saber
Mas, agora, lá fora, todo mundo é uma ilha
Há milhas e milhas e milhas de qualquer lugar
Nessa terra de gigantes
Eu sei, já ouvimos tudo isso antes
juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes
As revistas, as revoltas, as conquistas da juventude
São heranças, são motivos pras mudanças de atitude
Os discos, as danças, os riscos da juventude cara limpa, a roupa suja esperando que o tempo mude
Nessa terra de gigantes
Tudo isso já foi dito antes
juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes
Hei, mãe, já não esquento a cabeça
Durante muito tempo isso foi só o que eu podia fazer
Mas hei, hei, mãe por mais que a gente cresça
Há sempre coisas que a gente não pode entender
Por isso, mãe, só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto antes de anoitecer
Pois agora, lá fora, o mundo todo é uma ilha
Há milhas e milhas e milhas...
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante
Durante muito tempo, isso foi tudo o que eu queria ter
Mas, hei, mãe, alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer
Hei, mãe, tenho uns amigos tocando comigo
Eles são legais, além do mais não querem nem saber
Mas, agora, lá fora, todo mundo é uma ilha
Há milhas e milhas e milhas de qualquer lugar
Nessa terra de gigantes
Eu sei, já ouvimos tudo isso antes
juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes
As revistas, as revoltas, as conquistas da juventude
São heranças, são motivos pras mudanças de atitude
Os discos, as danças, os riscos da juventude cara limpa, a roupa suja esperando que o tempo mude
Nessa terra de gigantes
Tudo isso já foi dito antes
juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes
Hei, mãe, já não esquento a cabeça
Durante muito tempo isso foi só o que eu podia fazer
Mas hei, hei, mãe por mais que a gente cresça
Há sempre coisas que a gente não pode entender
Por isso, mãe, só me acorda quando o sol tiver se posto
Eu não quero ver meu rosto antes de anoitecer
Pois agora, lá fora, o mundo todo é uma ilha
Há milhas e milhas e milhas...
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes
Nessa terra de gigantes
Que trocam vidas por diamantes
A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante
A PORTA DO MEDO
Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto.
Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, a qual haviam gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue.
Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:
"Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros, ou passarem por aquela porta e por mim lá serem trancados".
Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos pelos arqueiros.
Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, disse-lhe:
* Senhor, posso lhe fazer uma pergunta? * Diga, soldado.
* O que havia por de trás de assustadora porta? * Vá e veja.
O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que a medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, até que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo a liberdade.
O soldado admirado apenas olha seu rei, que diz:
* Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar abrir esta porta.
Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar?
Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?
Numa terra em guerra, havia um rei que causava espanto.
Cada vez que fazia prisioneiros, não os matava, levava-os a uma sala, que tinha um grupo de arqueiros em um canto e uma imensa porta de ferro do outro, a qual haviam gravadas figuras de caveiras cobertas por sangue.
Nesta sala ele os fazia ficar em círculo, e então dizia:
"Vocês podem escolher morrer flechados por meus arqueiros, ou passarem por aquela porta e por mim lá serem trancados".
Todos os que por ali passaram, escolhiam serem mortos pelos arqueiros.
Ao término da guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, disse-lhe:
* Senhor, posso lhe fazer uma pergunta? * Diga, soldado.
* O que havia por de trás de assustadora porta? * Vá e veja.
O soldado então a abre vagarosamente, e percebe que a medida que o faz, raios de sol vão adentrando e clareando o ambiente, até que totalmente aberta, nota que a porta levava a um caminho que sairia rumo a liberdade.
O soldado admirado apenas olha seu rei, que diz:
* Eu dava a eles a escolha, mas preferiram morrer a arriscar abrir esta porta.
Quantas portas deixamos de abrir pelo medo de arriscar?
Quantas vezes perdemos a liberdade e morremos por dentro, apenas por sentirmos medo de abrir a porta de nossos sonhos?
Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguem pode voltar. Voltar é impossível na existência. Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece Porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano. Pôr um lado é desaparecimento e por outro lado é renascimento
2 de mai. de 2002
Álvaro de Campos
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Começo a conhecer-me. Não existo.
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
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Começo a conhecer-me. Não existo.
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
Quando...
Quando você busca por soluções e respostas e elas
custam a surgir,
Quando à sua volta tudo parecer conspirar para
impedi-lo de caminhar na direção que você escolheu,
Não brigue contra o mundo.
Esta luta contra obstáculos maiores que você fará
com que suas forças sejam desperdiçadas.
Canalize suas energias na busca de uma solução
que seja a um só tempo, criativa e individual.
Seja ousado e não tenha medo de ouvir seu próprio
coração.
Dentro dele estão todas as respostas que você
procura.
E estas respostas serão as mais oportunas e as
que melhores resultados trarão, porque se somos guiados pelo nosso
coração podemos estar certos de que encontraremos paz interior e a
partir daí todos os obstáculos serão encarados como desafios a serem
superados e não mais como situações intransponíveis.
Quando você busca por soluções e respostas e elas
custam a surgir,
Quando à sua volta tudo parecer conspirar para
impedi-lo de caminhar na direção que você escolheu,
Não brigue contra o mundo.
Esta luta contra obstáculos maiores que você fará
com que suas forças sejam desperdiçadas.
Canalize suas energias na busca de uma solução
que seja a um só tempo, criativa e individual.
Seja ousado e não tenha medo de ouvir seu próprio
coração.
Dentro dele estão todas as respostas que você
procura.
E estas respostas serão as mais oportunas e as
que melhores resultados trarão, porque se somos guiados pelo nosso
coração podemos estar certos de que encontraremos paz interior e a
partir daí todos os obstáculos serão encarados como desafios a serem
superados e não mais como situações intransponíveis.
"...Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar.
Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.
Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.
ENLOU-CRESÇA. "
(Carlos Drummond de Andrade)
Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.
Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.
Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada.
Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.
Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido.
ENLOU-CRESÇA. "
(Carlos Drummond de Andrade)
Belissima pag com poemas do Fernando Pessoa e outros.
Ah ! A Angústia, A Raiva Vil, o Desespero
AH! A ANGÚSTIA, a raiva vil, o desespero
De não poder confessar
Num tom de grito, num último grito austero
Meu coração a sangrar!
Falo, e as palavras que digo são um som Sofro, e sou eu.
Ah! Arrancar à música o segredo do tom
Do grito seu!
Ah! Fúria de a dor nem ter sorte em gritar,
De o grito não ter
Alcance maior que o silêncio, que volta, do ar
Na noite sem ser!
Fernando Pessoa
Ah ! A Angústia, A Raiva Vil, o Desespero
AH! A ANGÚSTIA, a raiva vil, o desespero
De não poder confessar
Num tom de grito, num último grito austero
Meu coração a sangrar!
Falo, e as palavras que digo são um som Sofro, e sou eu.
Ah! Arrancar à música o segredo do tom
Do grito seu!
Ah! Fúria de a dor nem ter sorte em gritar,
De o grito não ter
Alcance maior que o silêncio, que volta, do ar
Na noite sem ser!
Fernando Pessoa
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